Desequilíbrio na condição de saúde mental em mães no período da pandemia

Sobre o trabalho

Esse artigo é fruto de um trabalho conjunto de Livia Fontenele, Heloisa Paolloze, Aline Carvalho, Alessandra Rodrigues da Silva e Giovanna Luchetta, para a formação do curso Data Leadership for Business, da Tera, em dezembro de 2020.

Definição da temática

Tão logo nos foi feita a provocação de pensar em problemas que se fizeram (ainda mais) relevantes durante a pandemia de Covid-19, em 2020, Aline e Heloísa, juntamente, propuseram abordar a temática da saúde mental para o projeto.

O problema e a ótica

Ao concordar com a temática, concordamos também que gostaríamos de tomar uma ação ativa, dessa forma optamos por enxergar o problema por uma ótica mercadológica, nos colocando como consultores de uma plataforma de terapia online e cuidados da saúde mental, no caso, pensamos de forma fictícia na Zenklub.

  • A saúde mental é uma parte integrante da saúde, não havendo saúde sem saúde mental;
  • A saúde mental é determinada por uma série de fatores socioeconômicos, biológicos e ambientais;
  • Estratégias e intervenções de saúde pública, envolvendo diversos setores da sociedade, existem para promover, proteger e restaurar a saúde mental.

Contexto

Antes mesmo da pandemia de Coronavírus que iniciou em 2019 e atingiu o Brasil com força total em fevereiro de 2020, as doenças de saúde mental, principalmente depressão e ansiedade já afetavam a população do país.

O recorte: mães

Um mergulho mais profundo: mães brasileiras

Entendemos sobre o impacto da saúde mental na população do mundo e como essas questões se tornaram ainda mais latentes durante a pandemia, passamos também pela comprovação de que mulheres são a maioria das pessoas afetadas por essa condição e trouxemos um olhar especial para o grupo de mães.

A partir desses dados, podemos assinalar que existe uma tendência global de comportamento em que as mulheres tendem a se sentir sobrecarregadas com o aumento ou a continuidade da sua carga de “trabalho invisível”, enquanto, em paralelo, lidam com as situações de solidão, tristeza e preocupação decorrentes do isolamento e da pandemia, que podem ser consideradas condições de desequilíbrio de saúde mental.

Hipóteses

Após entendermos, de maneira geral, o problema que estava em nossas mãos, começamos a aplicar a ótica do mercado em cima dele, elaborando perguntas para serem respondidas durante nossas análises. Algumas delas foram:

  • Existiria demanda para um serviço que atuasse com esse público?
  • Após o reconhecimento ou não do problema, elas querem ajuda?
  • O que essas mães reconhecem como ajuda?
  • As mães acham tratamentos de saúde mental caros?
  1. As mães não sabem que tem uma condição de saúde mental
  2. As mães não têm tempo para cuidar da saúde mental
  3. As mães não querem (ou podem) dedicar parte do orçamento mensal para cuidados de saúde mental

Hipótese: Essas mães (que tem condições de saúde mental como depressão e ansiedade) são de classe social mais baixa

Em pesquisa, realizada com duas mil pessoas no Brasil, de nome “COVID-19 e saúde mental no Brasil: sintomas psiquiátricos na população em geral”, é concluído que:

Dica de leitura: Neste gráfico, cada quintil representa 20% de mulheres em uma faixa de rendimento, sendo o quintil 1 as 20% com renda mais baixa e o quintal 5 as 20% mulheres com renda mais alta.

Hipótese: As mães não sabem que tem uma condição de saúde mental

Para validar essa hipótese, analisamos mais dados presentes no estudo do projeto “Segura a Curva das Mães” (citado acima), que apontam que 84% das mulheres atendidas pelo projeto solicitaram apoio psicológico nos seis últimos meses.

Hipótese: As mães não têm tempo para cuidar da saúde mental

Como já mostrado no contexto do projeto, as mães vêm enfrentando, não apenas, mas com agravamento, durante a pandemia do Covid-19, um aumento na quantidade de “trabalho invisível”.

Hipótese: As mães não querem (ou podem) dedicar parte do orçamento mensal para cuidados de saúde mental

Durante nossas pesquisas de contexto, chegamos aos dados de que mulheres de classes mais baixas têm uma maior tendência de apresentar desequilíbrio das condições de saúde mental. A partir desses dados quisemos saber se as mães que sofrem também dessas condições podem ou querem dedicar parte de seus orçamentos mensais para os cuidados com a saúde mental.

Conclusão

A partir do processo de análise e validação das hipóteses, percebemos a predominância de dois fatores com alto poder de influência na saúde mental de mães: tempo disponível e questões financeiras.

A falta de tempo foi intensificada principalmente pelo fechamento das escolas e creches e pelo aumento da carga de trabalho invisível e formal, que reduziu a quantidade de horas livres para lazer e descanso.

Já as questões financeiras são importantes fatores tanto para mães desempregadas, como àquelas que possuem fonte de renda, dado o cenário de incerteza quanto à permanência ou não do emprego ou demanda, no caso de autônomas e empresárias. A situação econômica do país, com aumento de preços e desvalorização da moeda também intensificam a preocupação com dinheiro.

Ambos problemas tendem a continuar presentes mesmo após a pandemia, dado que, como mostrado anteriormente na comprovação das hipóteses, a participação das mulheres no mercado de trabalho no Brasil é a menor em 30 anos, o que ilustra o retrocesso causado pelo Covid-19.

Decisão e recomendações

Para construir possíveis ações para solucionar o gap de mercado voltado para mães que estão passando por desequilíbrio de condições de saúde mental deixado pela pandemia, optamos apresentar 3 diferentes cenários de futuro, suas configurações, dados que demonstrem a sua razão de acontecer e ações que podem ser realizadas uma vez que o cenário se comprovar.

  1. A condição vai se manter como uma doença silenciosa
  2. A pandemia invisível vai sofrer com a limitação de acesso a tratamento psíquico

falo muito sobre minha vida profissional, mercado de trabalho, saúde da cabeça e dicas sobre comunicação, marketing e performance

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